01 / O RETRATO DOS DADOS
Uma base ampla. Duas perguntas diferentes.
Os simulados mostram como as pessoas respondem durante o estudo. Os diagnósticos procuram identificar fragilidades entre as matérias já praticadas. Nenhum dos dois, isoladamente, informa a taxa de aprovação na prova oficial ou certifica competência operacional.
Trajetória institucional desde 2008. Recorte quantitativo recuperado: 22/12/2011 a 02/11/2026.
No conjunto histórico, 67,90% das tentativas atingiram pelo menos 70% de acertos. Isso não significa que essa proporção de alunos esteja pronta: uma mesma pessoa pode fazer muitos simulados, em matérias diferentes e em momentos distintos do aprendizado.
A média foi de 73,12% de acertos por tentativa. Há resultados altos e uma parcela relevante abaixo de 70%. Portanto, o histórico não sustenta a afirmação de que quase todos os candidatos acertam apenas metade da prova, nem permite calcular a chance individual de aprovação.
02 / EVOLUÇÃO HISTÓRICA
Queda no longo prazo; recuperação no recorte recente.
O Piloto Brasil iniciou sua trajetória em 2008. Os resultados individualizados localizados na base atual e nos backups inspecionados começam em 22 de dezembro de 2011. Os anos anteriores aparecem como lacuna, sem interpolação de valores.
A linha tracejada verifica a influência das entregas quase em branco. Mesmo nesse recorte, a média passa de 74,81% em 2012 para 72,87% em 2026. Não é o acompanhamento das mesmas pessoas ao longo do tempo.
Entre 2012, primeiro ano completo disponível, e 2025, último ano completo, a média caiu de 73,81% para 68,62%: −5,18 pontos percentuais, calculados antes do arredondamento. Em 2026, até o corte da análise, chegou a 70,08%, 1,45 ponto acima de 2025. Essa recuperação parcial ainda não caracteriza uma reversão sustentada.
Em 2026, 61,99% das tentativas atingiram 70% ou mais, enquanto 38,01% ficaram abaixo. A leitura adequada é que existe espaço importante para reforço durante a preparação; não que 38,01% dos alunos necessariamente reprovariam na ANAC.
A redução do volume observado pode refletir mudanças de público, canais e uso. Não mede, por si só, a qualidade da preparação ou o tamanho do mercado.
Consultar a tabela anual completa
| Ano | Tentativas | Contas | Média | ≥70% | ≥90% |
|---|---|---|---|---|---|
| 2011* | 10.332 | 2.471 | 72,64% | 67,05% | 21,44% |
| 2012 | 1.060.865 | 16.397 | 73,81% | 69,47% | 23,32% |
| 2013 | 1.155.907 | 15.027 | 73,72% | 69,05% | 24,31% |
| 2014 | 992.577 | 13.703 | 73,37% | 68,20% | 23,74% |
| 2015 | 874.081 | 12.143 | 73,34% | 68,04% | 23,41% |
| 2016 | 656.179 | 9.758 | 74,27% | 70,12% | 24,88% |
| 2017 | 587.526 | 9.204 | 73,52% | 69,05% | 22,94% |
| 2018 | 437.543 | 8.539 | 73,47% | 68,54% | 23,13% |
| 2019 | 367.774 | 11.158 | 73,54% | 68,78% | 25,44% |
| 2020 | 162.040 | 6.921 | 71,56% | 65,49% | 23,72% |
| 2021 | 164.513 | 6.119 | 70,10% | 62,19% | 22,53% |
| 2022 | 125.811 | 6.033 | 67,86% | 56,94% | 17,70% |
| 2023 | 106.860 | 5.733 | 68,78% | 58,73% | 18,57% |
| 2024 | 117.594 | 6.112 | 67,84% | 57,93% | 18,55% |
| 2025 | 88.336 | 4.980 | 68,62% | 58,87% | 18,06% |
| 2026* | 83.611 | 4.096 | 70,08% | 61,99% | 21,92% |
* Período parcial. Contas podem se repetir entre anos; não somar a coluna de contas para obter pessoas únicas. As colunas ≥70% e ≥90% se sobrepõem.
03 / DIAGNÓSTICOS RECENTES
O alerta está na consistência entre as matérias.
De 06/10/2026, às 09h46, a 02/11/2026, às 07h43, foram localizados 166 diagnósticos concluídos, pertencentes a 155 contas. O intervalo é de aproximadamente 27 dias, e não mais de um mês. Nove registros com erro foram excluídos. Esta é a contagem verificada, independentemente de estimativas anteriores.
Para reduzir o peso de quem solicitou mais de um relatório, também consideramos somente o último diagnóstico concluído de cada conta, independentemente do curso: das 155 contas, 123 ficaram em “inapto” (79,35%), 26 em “moderado” (16,77%) e 6 em “apto” (3,87%). A concentração na primeira faixa permanece.
O que essas palavras significam?
Na implementação consultada, a classificação considera a matéria de menor percentual, após arredondamento ao inteiro: abaixo de 75, “inapto”; de 75 a 90, “moderado”; a partir de 91, “apto”. O cálculo procura até três simulados recentes válidos por matéria, entre os vinte mais recentes, descartando os que tenham menos da metade das questões respondidas. A classificação numérica é definida pelo código; o texto explicativo utiliza IA.
Essas faixas são critérios pedagógicos internos, não categorias da ANAC, nem um modelo validado de probabilidade de aprovação. Um resultado de 70% pode atender ao corte de uma matéria na prova e ainda ficar na faixa de atenção do diagnóstico. A amostra também é voluntária: quem pede ajuda pode ter dificuldades diferentes das de quem não utiliza a ferramenta.
04 / PONTOS DE ATENÇÃO
Onde concentrar a revisão?
Entre as matérias com pelo menos dez ocorrências nos diagnósticos concluídos, Navegação e Meteorologia apresentaram as menores médias. Os grupos abaixo combinam cursos distintos e podem repetir a mesma pessoa em mais de um relatório; são sinais para orientar revisão, não um ranking nacional de dificuldade.
Para Navegação, uma revisão pode separar interpretação do enunciado, unidades, cálculo e tomada de decisão. Em Meteorologia, pode conectar os conceitos à leitura de condições e às consequências operacionais. São propostas de intervenção: esta base não identifica qual desses mecanismos causou cada erro.
05 / REFERÊNCIAS EXTERNAS
Comparar exige olhar para a população e para a prova.
Não foi localizada, nas fontes consultadas para este artigo, uma série nacional pública de aprovação ANAC com recorte diretamente comparável aos nossos simulados. Como referência externa de avaliação aeronáutica, a FAA publica resultados de provas oficiais nos Estados Unidos:
| Exame | Provas | Aprovação | Nota média |
|---|---|---|---|
| Piloto Privado — Avião | 44.657 | 89,56% | 81,64% |
| Piloto Comercial — Avião | 20.530 | 99,17% | 91,25% |
| Despachante | 1.410 | 82,41% | 80,62% |
| Manutenção — General | 22.585 | 69,59% | 74,02% |
Fonte: FAA, 2025 Airman Knowledge Tests, páginas 1–2. São eventos de prova, não necessariamente pessoas distintas. Os exames foram selecionados para ilustrar perfis diferentes; não representam a média de todos os exames.
As diferenças entre os próprios exames mostram por que uma taxa isolada não descreve toda a formação aeronáutica. País, seleção dos candidatos, conteúdo e momento de avaliação são diferentes. Não se pode usar essa tabela para dizer que alunos brasileiros são melhores ou piores, nem medir a eficácia do Piloto Brasil.
O que a pesquisa sobre aprendizagem acrescenta?
A revisão de Dunlosky e colaboradores (2013) avaliou dez técnicas e encontrou elevada utilidade para testes de prática e estudo distribuído ao longo do tempo. Releitura e grifos, isoladamente, apresentaram utilidade mais limitada. Esse resultado orienta o método de estudo; não fornece uma porcentagem de aprovação para candidatos à ANAC.
06 / DA NOTA À APRENDIZAGEM
Possíveis causas — e um caminho de melhoria.
Os registros mostram acertos e erros, mas não medem qualidade da escola, material utilizado, horas de dedicação, ansiedade ou motivação. Atribuir o desempenho a qualquer um desses fatores exigiria investigá-los diretamente. Há, porém, hipóteses pedagógicas úteis para orientar o próximo passo:
Familiaridade sem explicação
Reconhecer uma alternativa pode ser confundido com compreender o conceito. Após responder, explique por que a opção correta faz sentido e por que as outras não se aplicam; depois resolva uma situação diferente.
Revisão concentrada na véspera
Como proposta prática, distribua revisões em dias diferentes e tente recuperar o conteúdo sem consultar a resposta. Ajuste os intervalos conforme os erros; uma agenda de revisão não é promessa de aprovação.
Média geral escondendo lacunas
Acompanhe cada matéria, principalmente a de menor resultado. Registre o conceito associado ao erro e a ação para corrigi-lo, em vez de apenas aumentar o número de tentativas.
Treino sem verificação de retenção
Volte ao assunto após alguns dias, com questões diferentes e sem ajuda. Observe se consegue manter o desempenho e justificar o raciocínio; procure orientação de um instrutor quando a dúvida persistir.
Passar na prova e aprender de verdade
Treinar para uma avaliação é legítimo. O problema pedagógico aparece quando a nota é tomada como prova suficiente de compreensão. Os dados disponíveis não demonstram que os alunos prefiram decorar a aprender; essa motivação não foi medida. A proposta é usar o simulado como feedback: identificar a lacuna, estudar o fundamento, aplicar em outro contexto e verificar a retenção.
O resultado mais útil de um simulado não é apenas a nota: é saber o que precisa ser compreendido antes da próxima tentativa.
Conclusão
O conjunto histórico mostra que a maioria das tentativas alcançou ao menos 70%, mas a média dos anos recentes está abaixo da dos primeiros anos completos disponíveis. Entre os usuários que buscaram diagnóstico, predomina a classificação interna de atenção, inclusive ao retirar repetições por conta. São evidências de lacunas de preparação nesse grupo, não de despreparo generalizado de todos os candidatos brasileiros.
O encaminhamento é acompanhar a consistência por matéria, praticar recuperação do conhecimento, espaçar revisões e trabalhar o raciocínio por trás dos erros. Para avaliar causas e eficácia, um próximo estudo precisaria acompanhar os mesmos alunos, registrar estratégias e tempo de estudo e, com autorização, relacionar a preparação ao resultado oficial. Este artigo não realiza essa vinculação.
Transforme o próximo resultado em um plano de estudo.
Pratique, revise os fundamentos e acompanhe sua evolução por matéria.
Conhecer os simulados →07 / TRANSPARÊNCIA
Como esta análise foi feita
- Corte: 02/11/2026 às 10h56min28s, horário de São Paulo. Retrato estático; os números não se atualizam a cada visita.
- Universo principal: 6.991.653 registros na tabela histórica de simulados. Foram excluídos 64 sem denominador positivo e 40 de EASA/processos seletivos, resultando em 6.991.549 tentativas de cursos do catálogo ANAC. Questões de treinamento complementar desses cursos permanecem incluídas.
- Fórmula: percentual da tentativa = 100 × acertos ÷ (acertos + erros + questões em branco). Cada tentativa tem o mesmo peso na média. Brancos permanecem no denominador. Não se usou o campo “aprovado” como substituto de nota.
- Contas: 72.230 identificadores distintos no recorte histórico; não há verificação de que cada conta corresponda a uma pessoa diferente. Incluem-se os registros retidos, sem seleção por desempenho ou exclusão manual de contas de teste.
- Sensibilidade: a linha tracejada exclui 154.208 tentativas com menos da metade das questões respondidas. Não representa uma medição independente de aprendizado.
- Diagnósticos: somente os concluídos; classificação armazenada no momento da geração. A análise por conta utiliza o último relatório concluído, mesmo que parcial ou de outro curso. Não há medida de evolução individual nem validação preditiva.
- Comparabilidade: mudaram público, conteúdos, formatos e número de questões. A composição dos cursos não foi padronizada entre anos; a diferença anual não isola o efeito do tempo, da plataforma ou de uma técnica de ensino. Não há grupo de controle.
- Privacidade e precisão: publicação exclusivamente agregada, sem nomes, contatos ou respostas individuais. Percentuais arredondados podem não somar exatamente 100%. Não foram calculados intervalos inferenciais para representar toda a população de candidatos.
Outras modalidades e cobertura histórica
Também foram inventariadas 32.484 pré-bancas, desde março de 2012, e 2.486 registros de segunda época, desde abril de 2018; 586 destes possuem denominador positivo. Os contadores antigos de pré-banca apresentam escalas heterogêneas (inclusive somas de apenas uma unidade), por isso não foram misturados à curva de notas dos simulados. A ausência de registros de pré-banca em 2015–2017 não foi tratada como ausência de atividade.
As tabelas auxiliares de aplicativo, teste gratuito e torneios referenciam resultados da tabela principal; somá-las duplicaria tentativas. A tabela específica de testes experimentais consultada estava vazia. Resultados de EASA e processos seletivos ficam fora do recorte ANAC.
A busca em bases e arquivos locais e do servidor não localizou resultados anteriores a 22/12/2011. As cópias integrais de outubro de 2026 inspecionadas preservam esse mesmo início. Isso não prova que os registros de 2008–2011 nunca existiram: apenas que não foram recuperados nesta análise. A série será revista se surgir documentação verificável.
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Elaboração editorial: Equipe Piloto Brasil, operadora da plataforma analisada. Estudo descritivo interno, sem revisão científica independente. Fontes externas consultadas em 02/11/2026: ANAC, FAA e Dunlosky et al., com links junto às afirmações correspondentes.